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NA BÉLGICA

         Os seis meses que permaneci na Bélgica foram intensos.        Eu tinha 300 dólares no bolso, o resto das minhas economias. Para sobreviver eu tinha que trabalhar, sendo turista estrangeiro.         Como eu era professor de alemão formado no Goethe-Institut de Munique, procurei vários cursos de línguas estrangeiras, exibindo meu diploma.        Em vão. Só aceitavam professores nativos. Como um brasileiro poderia ensinar alemão na Bélgica?        Para português não havia demanda. Portugal  não era da UE nem do MCE, muito menos da OTAN.        Eu não podia mexer nos 300 dólares, minha última reserva.        Procurei o bandeijão universitário e fui contratado para lavar louça. Aproveitava as sobras e ganhava o almoço. Mas não podia levar comida para casa. Tinha que comer tudo lá, na cozinha. Eu me fartava.       ...

O SEQUESTRO

         Corria o ano de 1972. Era o tempo da ditadura militar. Eu morava em Niterói, e um vizinho meu, funcionário da Polícia, me denunciou como subversivo. Era uma denúncia vazia, pois eu nunca subverti  a ordem pública, nem  participava de passeatas. Fiquei tranquilo.        Até que, por sorte,  um amigo meu do Exército me procurou e me aconselhou;  -- Fuja do país imediatamente! Tem uma denuncia pesada contra você lá na Polícia.        --Como assim? Eu não fiz nada.        --Fuja já!        Vendi umas ações da Vale do Rio Doce, comprei uma passagem de navio, desci em Lisboa, peguei um trem, parei uma semana em Paris, e segui para Louvain, na Bélgica, onde um amigo me esperava. De lá estiquei para Amsterdam, onde fiquei hospedado num mosteiro.        Um dos padres tinha uma moto e frequentemente me levava para eu conhecer  a cidade. Ass...

O DESESPERO

         Qualquer pessoa pode em algumas fases da vida sofrer momentos de grande aflição em função de circustâncias alheias à sua vontade.        Aqui interessa-nos expor as crises de desespero que afetam grandes líderes nacionais sem que haja nenhuma coerção externa. As próprias vítimas criam condições para tais situações.        Na Rússia o Presidente Putin está desesperado, tomando decisões absurdas para sobreviver, como pessoa e como político.        Até 2022 a Rússia vinha crescendo em ritmo constante, vendendo petróleo, gás, fertilizante etc.,para o Ocidente, a preço de mercado,  e assim poderia continuar por muito tempo.        É claro que, de antemão, sabemos que nenhum país pode se manter indefinidamente só da exploração de recursos naturais. As jazidas são limitadas e não renováveis. Um dia esgotam-se.        Independente disso o líder russo Putin, ...

O IMPÉRIO

       Já comentamos aqui a efêmera existência de qualquer Império que um dia tenha existido na face da Terra. Todos, sem exceção, estão sujeitos à Lei Universal do Crescimento, aplicável a todo e qualquer ser, seja um capim, um embrião,  animal ou humano, uma estrela, uma constelação, ou até mesmo um Universo como um todo.Essa Lei é ilustrada  na  chamada "Curva Sigmóide".         Sigma é o nome da letra S na língua grega. Ela representa o lento crescimento inicial, que se acelera gradativamente, alcança um máximo de velocidade, desacelera, e por fim cessa totalmente, reiniciando um novo ciclo.         É o contínuo reciclo que nunca para. Lavoisier assim se expressou "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma", num eterno devir.        Se essa Lei é válida pata todo ente, animado ou inanimado, na Biologia e na História Natural, valerá tembém na História Cultural. ...

O HISTÓRICO

         A autocracia ditatorial tem uma característica básica em qualquer lugar. Diferente da democracia, com alternância periódica de poder, o autocrata não reconhece limites para seu domínio. Permanece absoluto enquanto pode. Foi assim com Hitler, Mussolini, Stalin, Ceausescu, e tantos outros, no passado, e é assim no presente.      Venezuela é um exemplo. Chaves permaneceu até o fim e seu sucessor, Maduro, foi recentemente destronado por um golpe americano.        Em Cuba Fidel Castro ficou no poder enquanto quis, passou para seu irmão, e o atual aguarda o momento de sofrer um golpe. É o destino de todos os outros, na Nicarágua,  na Coréia, na Rússia.         Entre nós, na América do Sul, todas as ditaduras tiveram um fim, inclusive a nossa ditadura militar.        Implantada em 1964, "para salvar a democracia", pretendia realizar eleições livres dentro de dois anos. Carlos ...

O animal

         Começando pela água, ali encontramos o anfioxo, o primeiro vertebrado a habitar o meio líquido.         A rigor não poderia ser classificado como vertebrado, visto que sua coluna não se subdivide em vértebras. O amphioxus lanceolatus, duas pontas de lança  nas extremidades, interiorizou o exoesqueleto quitinoso  do inseto e transferiu a corda ventral de baixo para cima, fixando ali sua corda dorsal. Elevou o seu tubo neural, num movimento vertical. É o conduto nervoso que se expande lá na frente como cérebro. Tudo isso préfigurado no que, mais tarde, seria o vertebrado propriamente dito. O tronco inicial de um longo processo, segundo Haeckel. Surge o osso, poroso, leve e resistente. A estrutura ideal, jamais superada por qualquer engenharia. Sob a corda dorsal corre o canal digestivo, e logo abaixo o canal circulatório que se alarga em coração. Tudo desenhado com grande sabedoria, sem que o anfioxo disso tomasse a míni...

A EVOLUÇÃO

           Contemplando a evolução dos diversos seres da natureza identificamos três processos bem característicos, a saber , a emancipação, a interiorização e a verticalização.         No reino vegetal a alga, aquática, é clorofilada e realiza a fotossíntese, formando ela própria suas substâncias, Contudo, a alga, desprovida de raízes, é apenas uma folha que absorve os nutrientes dissolvidos na água. A alga realiza a absorção passiva via folha.        Ansiando emancipar-se da água e alargar seus horizontes,  a alga une-se ao fungo e dessa simbiose resulta o líquen, emancipado da água, como o primeiro vegetal a iniciar a conquista do espaço externo, terrestre,  fora d'água.        A simbiose alga-fungo viabiliza o grande salto evolutivo da água para a terra, realizado graças à cooperação associativa de duas espécies, a alga, clorofilada, fazendo fotossíntese, e o fungo, não clorofila...