NA BÉLGICA
Os seis meses que permaneci na Bélgica foram intensos. Eu tinha 300 dólares no bolso, o resto das minhas economias. Para sobreviver eu tinha que trabalhar, sendo turista estrangeiro. Como eu era professor de alemão formado no Goethe-Institut de Munique, procurei vários cursos de línguas estrangeiras, exibindo meu diploma. Em vão. Só aceitavam professores nativos. Como um brasileiro poderia ensinar alemão na Bélgica? Para português não havia demanda. Portugal não era da UE nem do MCE, muito menos da OTAN. Eu não podia mexer nos 300 dólares, minha última reserva. Procurei o bandeijão universitário e fui contratado para lavar louça. Aproveitava as sobras e ganhava o almoço. Mas não podia levar comida para casa. Tinha que comer tudo lá, na cozinha. Eu me fartava. ...