A CURVA SIGMÓIDE

 


       Uma tarefa gratificante para o historiador é buscar e encontrar semelhanças entre processos históricos distantes, porém obedecendo a uma mesma lógica.

       Por exemplo uma semelhança  gritante é o destino de todos os impérios que jamais existiram na face da Terra.

       Todos começam pequeno, crescem, florescem, alcançam o apogeu, declinam e desaparecem, inexoravelmente.

       Embora essa lei histórica esteja sempre em vigor, mesmo assim os impérios e seus líderes imperialistas sempre nutrem a ilusão de que seus ideais de dominação e colonização serão eternos. Sempre esperam que desta vez a lei não vai funcionar.

       Os impérios nunca foram e nunca serão eternos.

       Até mesmo nos tempos atuais, no século XX e XXI, em diferentes lugares, ocorrem tentativas de expansão e colonização, sempre na esperança de que dessa vez o respectivo império será perene.

       É que essa lei histórica da ascensão, apogeu e queda de impérios obedece a uma lei natural, a lei universal do crescimento, graficamente expressa na chamada Curva Sigmóide.

       Na língua grega sigma é o nome da letra S. A curva sigmóide é semelhante à letra S.

       Isso significa que todo crescimento começa embrionário, em pequenas dimensões, depois cresce vertiginosamente, em seguida desacelera e decai, invariavelmente.

       O que é válido para qualquer crescimento de um ser vivo, vegetal, animal e humano, vale também para as sociedades, todas submetidas à mesma lei, à mesma Curva Sigmóide do Crescimento.

       O historiador pesquisa os fatos do passado para melhor entender o presente, e de certa forma, prever o futuro.

       Onde é que o historiador identifica povos atuais empenhados em expandir seus domínios, para além de suas fronteiras, seguindo o modelo de tantos outros impérios que, no passado, entregaram-se à mesma ilusão?

       Nos últimos séculos tivemos o Império Russo Czarista, que começou pequeno, em torno do Grão-ducado de Moscou. Era a Rússia de Moscou derivada da da Rus de Kiev.

       Expandiu-se extraordinariamente em várias direções, chegando a totalizar um extenso  território de !7 milhões de km2, sem contar o Alasca.

       O Império Czarista foi substituído pelo Império  Soviético, que também começou pela República Russa e algumas outras, foi gradativamente anexando novas Repúblicas até completar  o total de 15 Repúblicas  Socialistas Soviéticas, sob égide  da Rússia.

       Não satisfeitos os soviéticos de Stalin ainda tentaram conquistar a Finlândia. Nessa guerra de conquista a Rússia ainda conseguiu anexar 10% do território finlandês.

       Nessa época, no início da II Guerra Mundial, a Rússia (União Soviética), fechou uma aliança com  a Alemanha nazista, na esperança de compartilhar com ela um grande Império Nazi-fascista- soviético, que deveria durar mil anos.

       Eram dois regimes antagônicos, o russo-soviético-socialista de Stalin, aliado ao alemão-nazifascista- nacionalsocialista de Hitler,  Dois inimigos, animados do mesmo ideal: formar um Império da raça ariana, e um Império da raça eslava conquistado pela Revolução Mundial nos moldes marxistas.

       Casaram-se os interesses.

     É aí que o historiador descobre como aparentes diferenças se assemelham, e se igualam , e por fim se anulam mutuamente.

       A História é implacável.

       O fascismo alemão durou 12 anos. O fascismo soviético aelense etc 72 anos. Ambos tiveram um fim melancólico, em 1945 e em 1991.

       Não obstante esses dois exemplos emblemáticos, outros povos atuais, como o americano, o russo, o israelense etc,  insistem ainda hoje em lutar, desesperadamente, para  ampliar os seus respectivos Impérios, sem jamais atentar para a Universal Curva do Crescimento.


       Durma-se com esse barulho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O BIOINSUMO

O PERIGO

A TRANSPOSIÇÂO