A ESTRELA DE NÊUTRONS

 

              O Sol é uma estrela típica. Consta que 70% das estrelas  atuam como o Sol. Quer dizer perfazem a fase do ciclo vital caracterizada  pela contínua transmutação de núcleos de hidrogênio em núcleos de hélio. É assim que essas estrelas obtêm e irradiam sua energia em forma de luz, calor etc.

       O Sol, a nossa estrela, é algo impressionante.

       Despretensiosamente falamos que o Sol transmuta hidrogênio em hélio e assim ele gera a energia que nos mantém vivos. Parece um fato banal.

Ficamos também sabendo que o Sol consome, a cada segundo,600 milhões de tonelada de hidrogênio e os converte em 596 milhões de tonelada de hélio. Ao converter H em He ocorre uma "ligeira"   perda de massa, da ordem de 4 milhões de tonelada.

       Façamos as contas: 600 000 000 t de H convertem-se em 596 000 000 t de He. Portanto a cada segundo ocorre uma perda de 4 000 000 t de massa.

       Porém no Universo nada se perde, tudo se transforma. Essa diferença de massa é a responsável  pela luz e pelo calor que nos ilumina e nos aquece, logo nos vivifica, a nós humanos e a  toda a Terra. 

       É o que acontece a cada segundo,ininterruptamente. São grandezas difíceis ou impossíveis de imaginar.

       Fixemos o olhar num relógio, no ponteiro de segundos. Pronto, um segundo já passou. Neste 1 segundo,cronometrado, 600 milhões t de H se converteram em 596 milhões t de He. A diferença de 4 milhões se converteu em luz, calor etc., segundo a clássica fórmula de Einstein E=mc2, ou melhor mc2=E. Toda essa luz, esse calor e esse etc irradiam-se em todos os sentidos pelo espaço afora, em todas as direções. Apenas uma mínima fração  chega até nós e opera o milagre da vida.

       Se nos aprofundarmos no interior do átomo, no núcleo do hidrogênio, damos um salto quântico do imensamente grande para o minimamente pequeno. Ele contém 1 próton, sozinho, de carga positiva. Portanto tem número atômico 1 e massa atômica 1.

       O Sol, misteriosamente, funde 4 núcleos de H para obter um núcleo de He. contendo 2 prótons e 2 nêutrons. Portanto número atômico 2 e massa atômica 4.

       Qual é o mistério? O He, o segundo elemento da Tabela Periódica, contém em seu núcleo 2 nêutrons novos  que não existiam antes.

       O hidrogênio é o protoelemento, o primeiro, o pai, o progenitor. O hélio é seu     primeiro filho, o primogênito, dotado de 2 prótons e 2 nêutrons, que neutralizam a violência repulsiva dos dois prótons de carga igual. A mútua repulsão é providencialmente neutralizada pelos dois pacíficos nêutrons pacificadores.

       É a sabedoria do Sol. Só resta decifrar o mistério: De onde vieram os dois nêutrons apaziguadores? O que seria do hélio sem os dois nêutrons em seu núcleo? Explodiria.

       Tal não acontece. A energia solar não deriva da repulsa violenta de dos prótons adversários. Deriva sim da conversão tranquila de massa em energia. E a reação prossegue em cadeia, consumindo hidrogênio continuamente. O combustível se gasta.

       Desde quando existe o Sol? Quando ele nasceu? Qual é a sua idade? Durará indefinidamente? Claro que não. A Astrofísica determinou que o Sol nasceu há 4,6 bilhões de anos atrás e continuará vivendo por mais 5 bilhões de anos, enquanto durar seu estoque de hidrogênio. Depois evoluirá para uma gigante vermelha, uma anã branca e até mesmo uma anã negra. Terá entâo cumprido o seu ciclo atual.

       Termina aí? Evidentemente não. "Nada se  perde , tudo se recicla." Depois do ciclo, vem o reciclo, em perene continuidade. Se aqui embaixo é assim, lá em cima também.

       Hermes estava certo. E seu hermetismo nem é tão hermético assim. É meridianamente claro: "Assim como em cima, também é embaixo."

       Se aqui na Terra as transmutações biológicas se fazem a baixa energia, lá no Céu também, necessariamente. Se na reação nuclear de transmutação de H em He surgem, miraculosamente, dois novos nêutrons que não existiam antes, a proliferação de nêutrons tende a aumentar, na medida em que aumenta a virulência dos prótons, conforme galgamos novos degraus na escada periódica dos elementos. A escalada de violência é  contida pelo crescente contingente de nêutrons. proporcional ao número de prótons.

       Quanta sabedoria, aqui como lá.! Ao completar seu ciclo estelar, deverá converter-se numa estrela de nêutrons. Aí não haverá mais prótons em contínua beligerância. A paz volta a reinar, absoluta. 

       A primitiva guerra nuclear termina em paz.

       Contudo paira no ar aquela primeira pergunta: De onde vieram os dois nêutrons originais atuando no primeiro núcleo de hélio.?

       Podemos aqui ousar um corajoso salto quântico: Dos quatro prótons originais,  dois  deles já revelam um tal avanço evolutivo que os habilita a converter-se em nêutrons e pacificar seus  irmãos belicosos.

       "Assim como é no átomo elementar, também o é  na sociedade humana."

       

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