O ÚLTIMO TRUNFO

          Toda regra tem exceção. Existe uma regra sem exceção.

       Qual?- "Todo país marxista, comunista, socialista, totalitário e violento fracassa."

       É uma regra geral que não admite contestação.

       Tomemos qualquer nação que tenha experimentado aventurar-se nos labirintos do marxismo, mesmo com fios de Ariadne, não encontrou a saída. Afogou-se,sozinha, em seu próprio mar de incoerências.

       A primeira tentativa de implantar o marxismo na prática foi a Revolução Russa de outubro de 1917, como reação ao terrível regime opressivo exercido pelos Czares contra seu próprio povo.

       Símbolo máximo do terrorismo czarista foi a figura do Czar Ivan o Terrível. Muitos outros czares o sucederam. Nenhum deles alcançou o mesmo nível de crueldade de Ivan. 

       O último, Czar Nikolau II, mandou sua Guarda Nacional receber a bala a população que se aproximava do Palácio para solicitar a instalação de uma Assembléia Constituinte.

       A Revolução Bolchevique prendeu e executou o Czar e sua família, a mulher, quatro filhas e um filho, e proclamou o primeiro regime comunista-marxista no país Rússia.

       Seguiu-se então uma sangrenta guerra civil entre os bolcheviques vermelhos, radicais, e os mencheviques brancos, moderados.

       Quem mais se distinguiu nessa guerra civil foi o líder vermelho Lenin e seu imediato Trotskii.

       Sorrateiramente começa a surgir naquele cenário a figura de Stalin, ambicioso de poder.

       Em 1922 Lenin sofre seu primeiro AVC e começa a retirar-se do comando, apontando o competente Trotskii, o grande estrategista, como seu sucessor.

       Paralelamente o obscuro Stalin age nos bastidores com vistas a ocupar o lugar de Lenin ao invés de Trotskii. Lenin sofre o segundo e o terceiro AVC e morre em janeiro de 1924.

       Stalin assume o poder, persegue Trotskii, expulsa-o do país, e por fim manda assassiná-lo, eliminando finalmente o seu maior rival.

       Pode assim Stalin governar absoluto durante 29 anos, cometendo, ele e seus auxiliares mais próximos, Beria e Khruchiov, os maiores crimes imagináveis, de fazer inveja a qualquer czar.

       E assim transcorreu a história do comunismo russo durante 29 anos, marcada por sucessivas purgas, de inocentes e de suspeitos, acusados de tramarem contra a ditadura do proletariado.

       Dentre os 30 milhões de vítimas do stalinismo estavam os mais competentes funcionários e os mais competentes militares de alta patente, suspeitos de ambicionarem o poder. 

       A Rússia stalinista, após anexar cinco repúblicas e mais seis repúblicas asiáticas, ambicionava ainda anexar mais a Finlândia e as três repúblicas bálticas, a Lituânia, a Letônia e  a Estônia. 

        A essa altura estava a Rússia Soviética Stalinista de tal modo enfraquecida, que foi obrigada a aliar-se ao seu maior inimigo, o nazifascista Hitler, o austríaco disfarçado de ditador alemão.

       Era o bizarro quadro do georgiano Stalin, disfarçado de ditador russo, negociando com seu par, o austríaco Hitler, do lado alemão.

       Assinaram o Pacto Germano-Soviético e juntos decidiram invadir e dividir a Polônia logo no mês seguinte, em 1º e 17 de setembro, respectivamente, dando início à II Guerra Mundial.

       Pôde então Stalin tranquilamente anexar os três países bálticos e ainda empreendeu a guerra de inverno contra a Finlândia, da qual conseguiu abocanhar  11% de seu território. 

       Ainda em 1940 Stalin   conquistou a Moldávia, totalizando então  15 Repúblicas Socialistas Soviéticas, a conhecida União Soviética, sob rígido controle da Rússia stalinista.

       A aliança URSS comunista e Alemanha nazifascista durou até 21 de junho de 1941, justamente o dia em que Stalin enviou para sua aliada Alemanha um comboio com dezenas de vagões  de trigo da melhor qualidade, colhido nas férteis Terras Pretas da Rússia e  da Ucrânia. 

       Na madrugada seguinte, em 22 de junho de 1941, traiçoeiramente, a Alemanha de Hitler invadiu o território de sua (ex) aliada URSS e iniciou a sua Operação Barbarossa, provocando em seu ex-aliado Stalin um surto nervoso que o manteve paralisado por três dias.

       O colapso nervoso de Stalin não se deveu tanto pela traição de seu ex-aliado, e sim, sobretudo, pelo fato de ele ter de enfrentar agora, em seu próprio território, uma poderosa máquina de guerra nazigermânica, num momento em que a Rússia estava sensivelmente enfraquecida devido às terríveis purgas que Stalin vinha executando ao longo da década anterior.

       Há que destacar aí dois detalhes importantíssimos:

       1) O estrategista Hitler escolheu o inimigo errado, no lugar errado e no momento errado. A URSS era o país de 200 milhões de habitantes, patrióticos e obstinados, 

       Como se não bastasem as três frentes de guerra, ocidental, setentrional e meridional, a Alemanha ainda aventurou-se a abrir uma grande frente oriental, sem possuir recursos suficientes para tal, contando simplesmente com as imensas reservas minerais que esperava conquistar no território soviético.

       Outro grande erro de cálculo do cabo de guerra Hitler, contrariando os conselhos de seus melhores generais, foi o momento escolhido para a invasão, contando em dominar toda a União Soviética em quatro semanas e apoderar-se de sua população e de suas riquezas naturais, ainda durante o verão, antes da chegada do outono.

       O aprendiz de soldado enganou-se redondamente. As quatro semanas estenderam-se para quatro meses e o implacável inverno entrou em cena, quando as tropas alemãs já estavam a 20 km de Moscou. Mais uma vez foi o Mal. Jukov o grande herói que soube salvar sua capital.

       Há certos males que resultam em bem. A providencial Operação Barbarossa foi o começo do fim do III Reich e do maligno eixo itálico-germânico-nipônico, associado ao tenebroso regime russo-soviético. Os dois eixos unidos, pretendiam, ambos, realizar, de um lado a Revolução Mundial Marxista, sob a égide da Rússia, e do outro a Revolução Nacional-Socialista, sob o comando da Pura Raça Ariana.

       Providencialmente tal não aconteceu.

       2) O segundo detalhe importantíssimo, igualmente providencial, foi o fato de que, em meio às milhares de vítimas do genocídio stalinista, uma pessoa foi poupada, sem ninguém saber por que. Foi a figura do genial estrategista militar Marechal Jukov.

       Era uma pessoa de origem simples, nascido e criado na zona rural, e que, como adolescente, transferiu-se para Moscou, ingressou na Academia Militar, e revelou-se um talento na arte da guerra.

       Após a derrota na primeira Guerra de Inverno contra a Finlândia, Stalin mandou executar oito generais como castigo pela humilhante refrega. 

       Mais uma vez quis a Providência que o Mal. Jukov fosse poupado da inominável purga, sendo ele então designado para comandar as tropas russas na Segunda Guerra de Inverno, a segunda tentativa de conquistar a Finlândia inteira para os domínios de Stalin, com a conivência da Alemanha nazista.

       Dessa vez a história foi diferente. Jukov obrigou a tropa a seguir em frente, sóbria, sem beber vodka, e sem cantar patrióticos hinos de vitória. 

       A batalha foi dura  contra os valorosos finlandeses, estes deslocando-se habilmente em seus  trenós no meio  da floresta, que eles bem conheciam, sobre a neve e sob frio intenso, a que eles estavam habituados.

       O máximo que as tropas conseguiram foi 11% do território finlandês, anexado ao território russo pelo Tratado de Moscou de   março de 1940.

       De fracasso em fracasso os projetos marxistas-socialistas foram-se sucedendo ao longo dos anos  em diferentes países, a saber: Alemanha Oriental, Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, o Leste Europeu, a China de Mao etc.

       Após a morte de Mao-tse-Tung a China experimentou uma transformação radical que lhe garantiu superar o estado de calamidade absoluta em que vivia anteriormente, quando chegou  a contabilizar cerca de 50 milhões de vítimas do regime.

       Sob a iniciativa de Deng xiao Ping a China adotou um regime híbrido pós-Mao, caracterizado pela liberdade econômica e repressão política.

       A liberdade na economia permitiu a entrada de capitais , tecnologias e empresas ocidentais, resultando num crescimento vertiginoso nos 30 anos vindouros.

       No campo político o regime continuou fechado, num rígido sistema de partido único.

       Para muitos adeptos da ideologia marxista a China continua sendo um país comunista, o único bem sucedido economicamente, quer dizer a única exceção.

       O curioso no caso chinês é que os ideólogos nunca destacam o fato de que o progresso material só foi possível graças à chegada da tecnologia e do capital do mundo livre democrático, em frontal oposição aos dogmas do marxismo ortodoxo.

       Ao negar as evidências os ideólogos se alegram com a ilusão de que só o centralismo rigoroso é capaz de conduzir ao sucesso.




   

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