O VIRTUAL
Interessante que a palavra do momento, presença constante na mídia, é o "virtual". Lemb ra "virtude", derivada do latim "virtus,virtutis", por sua vez originária de "vir,viri", que significa "homem, varão, macho", dando a idéia de força, vigor, virilidade, segundo Francisco Torrinha, Dicionnário Latino-português, Porto, 1945, 3º Edição.
A despeito de todas essas conotações positivas, o "virtual" é hoje seriamente questionado, em oposição a "presencial". Eu, pessoalm,ente, confesso que me sinto melhor quando tenho um público presente, numa sala, ao vivo. É bem diferente de uma "live", ao vivo, com o público distante, em suas casas, acessível por via eletrônica.
Porém, nesse ponto eu sou radical. Eu sou radicalmente contra o radicalismo. Como negar a modernidade, se vivemos na era moderna, aliás pós-moderna.
Se queremos condenar a atualidade, temos que retornar à ancestralidade, com todas suas consequências. Condenar parcialmente o atual induz a incoerências graves.
É verdade que a tecnologia facilita muito a nossa vida,e para isso pagamos um preço.
Quem usa irrefletidamente a televisão, atrofia em si o dom da clarivisão e da clarividência. Quem excessivamente apega-se à telefonia, atrofia a telepatia. Quem demasiadamente se transporta por um veículo, perde a capacidade de se transportar por si mesmo, atrofia seu dom inato de levitar. É a tecnologia que limita uma virtude superior do homem.
Antigamente, para atravessarmos o oceano, usávamos as caravelas. Depois veio o navio a vapor, e agora embarcamos, não num barco, mas num avião. Voamos por cima do mar, não com nossas asas, que não temos, mas com as asas de um grande pássaro, de uma ave enorme, um avião. O artificial substitui o natural. e funciona, até para os mais incorrigíveis nostálgicos. Porque são poucos os "civilizados" que escolhem voltar a viver na tribo. São exceções que confirmam a regra.
O virtual tem uma história relativamente recente.
Até 1500 a informação era lentamente passada em papiros e pergaminhos. O acesso era privilégio de poucos. Escribas eram uma raridade.
Até que um dia, uma pessoa de nome Gutenberg, inventou uma forma de imprimir centenas ou milhares de páginas a partir de uma matriz composta de tipos móveis. Nascia a tipografia.
A informação, antes transmitida por via oral, de geração em geração, estava agora disponível para todos, impressa num livro. O autor estava longe, era virtualmente acessado à distância.
E assim caminhava a humanidade, de conquista em conquista. Quão poderoso ficaria Gutenberg, se pudesse patentear sua invenção.
Edison, inventor da lâmpada, ficou rico. Tesla morreu na obscuridade. Porém todos usufruimos da eletricidade. Ela viabiliza a informática. O livro virtual moderno.
Porém não podemos nunca esquecer: é sempre bom ler um livro presencial. Melhor ainda é ler o Livro da Natureza. Quem o faz habilita-se a ler " O Registro Akáshico", a Crônica registrada nos Mundos Superiores.
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