O PATERNALISMO

 



       É  necessário e natural que haja assistência materna-paternal à criança em seus primeiros anos de vida. É o maternal-paternalismo próprio de todas as espécies. É assim para o bebê, o bezerrinho, o potrinho, o gatinho, A gata-mãe se desdobra em cuidados para com seus filhotes. Não só o animal domesticado, mas também as feras. O leão-pai muitas vezes fica cuidando da prole, enquanto a leoa sai para caçar.

       Nas sociedades humanas também registram-se episódios de assistencialismo. A Europa, arrasada após a II Guerra Mundial, recebeu providencial ajuda pelo Plano Marshall. Passada a fase crítica os diversos países beneficiados foram-se emancipando pouco a pouco da caridade americana e até ressarciram os empréstimos.

       Citemos aqui uma exceção ocorrida no pós-guerra: o Estado de Israel.

       De antemão já se sabia da inviabilidade econômica do Projeto Sionista: expulsar a população local e substitui-la por outra, fundamentada em promessas bíblicas de 3000 anos atrás. O artificialismo dessa iniciativa evidencia-se a cada dia, em função da  escalada de violência praticada na região. 

       A população árabe e a população israelense sofrem, ambas, de um estado permanente de beligerância,  vigente, e crescente, desde 1948, sem data para terminar.

       A princípio, para alguns, a proposta sionista parecia válida: um Estado Judeu. Um território exclusivo para um povo, adepto de uma religião. É um caso único onde o mesmo conceito abrange duas esferas distintas: povo, judaico, e religião, judaica.

       Desde o advento do Cristianismo ("Dai a César o que é de César, a Deus o que é de Deus.") essa distinção vem sendo feita progressivamente, no Estado Laico, consagrada na Constituição de muitos países. Tentar misturar as coisas, funciona cada vez menos.

       Na época da funndação de Israel os pioneiros tinham alguns desafios a enfrentar:

       1) Achar um território exclusivo para um povo, adepto de uma religião.

       2) O território escolhido era ocupado por outro povo havia séculos. Teria que ser desocupado e repovoado

       3) Não havia dinheiro suficiente para tamanha empreitada.

       Naquele momento a solução era buscar fontes externas,  não empréstimos reembolsáveis, e sim doações, a fundo perdido.

       A presentaram-se duas opções: 1) Doações de particulares estabelecidos na diáspora.

       2) Doações públicas do Tesouro Norte-americano

       O Projeto foi elaborado, aprovado  e iniciado.

        Havia duas premissas para o sucesso do Projeto : 1) As fontes de recursos seriam pródigas

       2) O povo deslocado de suas casas continuaria pacífico

       A realidade: 1) O terrorismo, que não existia antes, está mais forte

       2) Menos pessoas se dispõem a colaborar

       3) Desde ontem Trump não tem maioria no Congresso. Já querem reduzir as remessas do Tesouro.

       4) O Knesset abre mais espaço para a bancada árabe.

       Eis o diagnóstico: os custos de guerra são crescentes e as fontes são secantes

       O que fazer?  Emigrar?

       O paternalismo tem limites.

       

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