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NAZIFICAÇÃO

Na Arte da Guerra uma boa estratégia é seguir a máxima romana: "Divide et impera!", cunhada por Júlio César em seu livro "De Bello galico". "Dividir para reinar." Quando os generais inimigos disputam uns contra os outros, mais facilmente serão derrotados. Foi a tática de César para conquistar a Gália. Mais interessante ainda é quando o bloco inimigo começa a se desfazer. É o que acontece no leste europeu. Em 2014 Prigozhin, um ex-presidiário, traficante e mafioso, foi solicitado a formar um grupo mercenário de elite para ajudar os separatistas de Donbass. Em homenagem a Hitler o grupo foi denominado  "Wagner", nome do compositor favorito do ditador nazista. O grupo lutou eficientemente na África e na Síria. Em 2022 voltou às origens para participar da campanha de desnazificação da Ucrânia. Reforçado com mais 40 000 presidiários, recrutados para servirem de buchas de canhão,  o grupo vem -se revelando muito superior às tropas regulares em combate ...

A EXCEÇÃO

Cinquenta dos países mais desenvolvidos do mundo se uniram em favor da Ucrânia, quer dizer contra o tal de Putin,  o inimigo público número um. Até nos EE. UU.  os dois partidos, o Republicano e o Democrático, tradicionais adversários, também estão unidos nesta questão. Todos os governantes sensatos, menos o de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Síria , Sérvia, Itália, Irā, ... são unânimes em apoiar a Ucrânia. Esperava-se o mesmo do Brasil. Puro engano. É como na gramática. Toda regra tem exceção. Enquanto a maior parte se une pela racionalidade, no Brasil a extrema direita e a esquerda se juntam a favor da OME. Já era assim no ano passado e continua sendo neste, disfarçado de neutralidade. Pode parecer estranho que velhos inimigos colaborem a favor de um mesmo ditador. Será que os polos opostos são mesmo diferentes? Ou são iguais?

INCERTEZA

Falando de esportes, todos conhecemos o dito popular: futebol não tem lógica. Ninguém, de antemão, pode afirmar quem será o vencedor. Contrariando nossas crenças nós nos surpreendemos com certos resultados. Em 1950 o Brasil ficou estarrecido com a derrota para o Uruguai. 60 anos depois veio o choque dos 7 a 1. Porém já em 1935 o físico Schrödinger apresentou ao mundo a  teoria do gato. Lacrado numa caixa estará o gato vivo ou morto? De antemão a incerteza é total, confirmada mais tarde por Heisenberg. Ainda nos admiramos como pôde a Rússia (URSS) resistir à Alemanha em 1941. Alguns anos depois os poderosos USA saíram derrotados do Vietnam. Para surpresa geral a mesma URSS (Rússia), após 10 anos de luta inglória, baixou as armas no Afeganistão, e voltou para casa, desfalcada de milhares de soldados, nos estertores da URSS. Alguns anos mais tarde o mesmo país, Afeganistão, foi dominado pelos mesmos USA. Após 20 anos os ocupantes retiraram-se, derrotados. Há um ano atrás aplicou -se n...

OPINIÃO

 Quando a maior potência mundial cair, ela cairá como todas as outras caíram no passado e cairão no futuro. Nihil novum sub Sole. É a dinâmica da História. Nada de novo sob o Sol. A URSS também caiu um dia, quinta-feira, 26 de dezembro de 1991. O muro de Berlim caiu 2 anos antes, em 9 de novembro de 1989, também numa quinta-feira. Tolice é tentar ressuscitar o passado que não volta mais. A Rússia está fadada a ser o próximo centro cultural da humanidade, tal como hoje é o mundo anglo-saxão- germânico, e outrora foram Roma, Grécia, Egito, Caldeia,  Persia e India. A cultura da guerra torna-se anacrônica. A cultura da paz é exigência do momento.

REFLEXÕES

A pergunta é: por que a grande potência militar não conseguiu ainda liquidar essa guerra contra um simples apêndice do império, governado por um clown? Existem explicações: 1) a Ucrania está motivada a defender a sua pátria. 2) a Ucrânia vem se preparando acuradamente desde 2014 para enfrentar o poderoso inimigo. 3) a Rússia,desde algum tempo, não vem se preparando para um confronto real no campo de batalha. Contenta-se em exibir na praça,anualmente, no dia 9 de maio, os portentosos carros blindados, alegóricos de um poderio fictício. Incapaz de reconquistar a província no campo de batalha, opta por atacar instalações civis de água, calefação e luz, desarmadas. 4) não possuindo tropas adestradas para a luta, recorre a grupos mercenários, estes sim, bem remunerados e treinados, exercitando-se em batalhas desde 2014, por dinheiro. 5) a rigidez hierárquica. Num regime autoritário o bloco monolítico de poder assenta na obediência. Qualquer divergência é punida com prisão ou envenenamento. ...

POLARIDADES

A multipolarização já é uma realidade. Superamos a bipolaridade URSSxEUA e caímos na multipolaridade atual. Temos aí vários polos: União Européia, EUA, Índia, China, Tigres, Islâmicos, África, América do Sul, etc. etc. A pergunta é: para que multipolarizar? Por que tantos competem com tantos? Talvez por falta de visão holística. "Holos" (grego), "whole" (inglês), quer dizer " o todo". O todo é uno. Todos nos conectamos a todos. (Lei Social Principal). Uns com os outros e vice-versa. Quando a Lei Social Principal ( Hauptsozialgesetz) for compreendida, a humanidade será una. Cessará a polarização autodestrutiva. Um dia, quem sabe? Por enquanto cada um pode ir autoeducando-se e exercitando a convivência. Aprendi na aula de antropologia na FGV:" Não existe o melhor, existe o diferente." Maria Alice Pessoa

KHRUTCHOV

A biografia de Khrutchov (Хрущов) é emblemática. Nos anos tétricos da ditadura soviética Khrutchov foi o braço direito de Stalin. Participou ativamente dos expurgos da década de 30. Embora russo foi nomeado governador da República Socialista Soviética da Ucrânia e ajudou a implantar a tormentosa coletivização da agricultura. Acompanhou de perto a assinatura e o cumprimento do Pacto de Não -agressāo Germano-soviético de 1939. Foi aliado da Alemanha nazista por quase dois anos, até o dia 22 junho de 1941, quando os nazistas, traiçoeiramente, invadiram a URSS, no âmbito da Operação Barbarossa. Khrutchov transformou-se repentinamente, voltou-se contra a Alemanha e até participou da batalha de Stalingrado, saindo vitorioso em Janeiro de 1943. Permaneceu fiel até a morte do seu líder em 1953. Khrutchov assumiu o poder e, arrependido, iniciou uma campanha de abrandamento do regime. Corajosamente denunciou os crimes de Stalin e para desespero dos mais radicais, deu início à desestalinização. C...