A GUERRA
Nenhuma ocorrência é tão ruinosa quanto a guerra, em todas as suas dimensões.
A guerra individual de uma pessoa contra si mesma, lutando com suas contradições e incoerências. Os conflitos na família, na sociedade, conflitos nacionais e internacionais.
Historicamente a guerra coletiva tem a sua origem num clã, num grupo, numa tribo, unida em torno de um chefe que se arma para se defender de agressores externos ou para atacar e conquistar tribos alheias.
A humanidade passou por essa fase tribal durante longos séculos e milênios, em luta constante. Assim formaram-se os grandes impérios da antiguidade, os quais todos acabavam por declinar e extinguir-se.
Até que, por fim, a direção espiritual do Homem e da Humanidade, elegeu uma pessoa, de nome Abraão, para dar origem a um povo, eleito para, pela primeira vez na História, sustentar a bandeira do monoteísmo e do messianismo, num contexto cercado por povos pagãos,politeístas. Somente um Povo foi Eleito para cumprir a ousada missão, enfrentando toda sorte de obstáculos.
Após longos séculos de luta contra as idolatrias, pagãs, politeístas, lutas externas e internas, finalmente , no século primeiro da Nova Era, cumpriu-se a longa espera messiânica: no seio do Povo Hebreu aparece a figura de Cristo para, nos anos 30 a 33, deixar o seu legado no mundo: a consciência do Eu Individual. Essa era a Missão que Ele deixou para a posteridade: "Ide e levai a Boa Nova para todos os povos."
Sem exceção.
A partir de então qualquer pessoa, de boa vontade, tinha acesso a essa força superior para romper as amarras impostas pelas velhas estruturas tribais vigentes até então.
O Ser Humano podia então desenvolver seu Eu Superior, libertar-se, emancipar-se, e não mais alinhar-se servilmente às correntes de outrora que fomentavam o conflito.
Vinte séculos se passaram e ainda hoje, no século 21, assistimos ao deplorável espetáculo de grupos étnicos nacionais em luta contra outros grupos nacionais étnicos, unidos, coesos e armados para a defesa e para o ataque mútuo, com altos custos ambientais, financeiros e humanos, para todos os lados.
A guerra é o atestado do ser humano, atrelado às arcaicas e vetustas Leis de Talião, que constavam no antigo Código de Hamurabi e incorporadas ao Antigo Testamento do Povo Eleito.
Em pleno século 20, em 1948, foi fundado o Estado de Israel, exclusivo para abrigar uma etnia, adepta de uma religão, em franca oposição à modernidade que aponta para a diversidade, o multilateralismo, o pluralismo, a coexistência.
O Estado de Israel dá continuidade, em grande escala, à "Cultura do Ghetto", vigente em vários lugares na diáspora, até 1945. De lá para cá, cada vez mais, os Hebreus estabelecidos na diáspora, decidem-se aculturar-se, assimilar-se, miscigenar-se e prosperar em paz.
A Natureza nos dá esta lição: um ecossistema só é viável quando possui biodiversidade. Qualquer sistema ecológico uniforme, unilateral,exclusivo, monocultivo, condena-se ao fracasso. Só pode ser mantido durante certo tempo limitado, às custas de muito combate, defensivos e ofensivos.
Não faltam exemplos que comprovam esse fato.
Exatamente o mesmo está acontecendo no Oriente Médio.
Desde 1948, um país biouniforme, monoétnico, ortodoxo-teocrático, luta incessantemente para sobreviver, precariamente, num barril de pólvora, cercado de inimigos, igualmente monoétnicos e monoconfessionais.
É a luta de trevas contra trevas, e o resultado é o sofrimento de grandes contingentes populacionais, sem data para terminar, à mercê de certas lideranças "religiosas".
Muito acertadamente declaravam os antigos romanos:
"Errare humanum est, perseverare in errore diabolicum."
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