O IRÃ
Irã é o atual nome de um milenar país chamado Pérsia.
Quando mencionamos Pérsia alguns nomes vêm à nossa mente, por exemplo Zaratustra, o grande iniciado da Antiguidade.
Foi aquele que lançou o brado: "Amai a terra!"
Foi ele que educou as tribos nômades a se estabelecerem em certos lugares, a criarem raízes, a assentarem-se em suas terras, a assumirem o seu sustento.
Foi essa uma das grandes evoluções experimentadas pela humanidade, de profundas consequèncias para a civilização posterior: a transição do nomadismo para o sedentarismo.
Não mais o ser humano vivendo às custas do mero extrativismo, daquilo que a Natureza lhe prodigalizava, gratuita e espontaneamente. Era a sociedade errante, em contínua busca de novas regiões, na esperança de ali poder sobreviver, por algum tempo.
Esgotados os recursos locais, debandavam para "uma nova sina de existir"(G. Rosa), atropelando-se com outras tribos, igualmente errantes.
A guerra era inevitável.
Quão diferente não passou a ser a vida daquele homem que interiorizou a mensagem do sábio mestre, que ouviu aquela voz, como "Assim falava Zaratustra."
Fixar-se à terra, cultivar a terra, cultuar a terra, enraizar-se. Viver da terra que ele mesmo tratava, por iniciativa própria. Lançar na terra a semente que ele mesmo colhia, que ele mesmo melhorava, a campo, a cada nova safra. Quanta realização interior, quanto crescimento.
Foi na Época Cultural Persa, perpassada por Zaratustra ou Zoroastro.
Uma outra figura desponta na antiga cultura persa: Ciro, o Imperador, que se preparou para enfrentar Nabucodonosor, o Imperador da Babilônia. Aquele mesmo tirano que invadira a Terra Santa, pilhara os seus tesouros e destruíra o Templo de Salomão. E como se não bastasse ainda levara o Povo Eleito para o Cativeiro da Babilônia, tentando o quanto pôde induzi-lo à idolatria Em vão.
No momento oportuno foi o Imperador Ciro que invadiu e destroçou Babilônia, e permitiu o retorno do Povo Eleito à Terra Santa de Canaã. E mais do que isso, Ciro ajudou a reedificar o Templo e restituiu os tesouros surrupiados por Nabucodonosor.
Tudo isso graças ao grande Imperador da Pérsia, a mesma Pérsia que hoje carrega o nome de Irâ.
De lá para cá muita água rolou. Mas o petróleo mesmo só jorrou no Irâ em 1908 pela primeira vez.
A cobiça de muitos logo se fêz presente. Até mesmo o monarca, o Shah da Pérsia, o Reza Palavi, deixou-se inebriar pela riqueza, e contaminado pela ambição, pouco a pouco, foi aumentando a repressão e investindo cada vez mais na indústria bélica e não na indústria de bens de consumo para as pessoas. A prioridade era a guerra, a exemplo de outras monarquias autocráticas.
O mais importante era afirmar-se perante o mundo como potência.
A consequência foi a falência do Estado e a vitória da Revolução Islâmica de 1979, que veio substituir a monarquia autocrática laica por outra monarquia autocrática religiosa, pior do que a anterior.
A nova teocracia entendia muito de islamismo xiita e pouco de gestão de negócios públicos. A prioridade continuou sendo o poderio bélico, em detrimento do resto, às custas do petróleo. A nova teocracia iraniana retrocedeu ao passado remoto , ao extrativismo puro e simples, na esperança de que ele seria sustentável. Ignoraram Zaratustra.
A última aprontada pela plutocracia dinheirosa foi a construção de 600 barragens para garantir o suprimento de água para 90 milhões de pessoas., sem absolutamente considerar as exigências da ecologia. O dinheiro fácil do petróleo levou os teocratas a esses desvarios.
A desertificação se espalhou e a população, reprimida por todos os lados, soltou as burras, foi às ruas, enfrentou a polícia e sofreu milhares de baixas.
A revolta era geral, sem água, sem comida e sem liberdade.
Foi neste momento que Trump e seu mentor Netaniahu decidiram prestar um grande serviço à teocracia xiita: criaram um mártir, o Aiatolá Khamenei. Exatamente o que o Aiatolá esperava.
Em seus 86 anos de idade, tendo muito pouco a perder, colocou-se estrategicamente na mira de seus adversários e martirizou-se, bem no estilo islâmico, e levou junto mais 40 aiatolás de menor patente.
Pronto. O circo estava armado para incendiar-se. Os adeptos se revoltam e o aiatolado volta mais forte que antes.
Quantos xiitas iranianos nao estarão agora sonhando em reeditar as façanhas do ancestral Ciro e destroçar a Babilônia?
I
Comentários
Postar um comentário
Deixe seu comentário.- Leave your comment