O GHETTO
Durante milênios, em todos os povos da Antiguidade, prevaleceu a chamada "cultura do ghetto", ou seja uma forma de organizar as respectivas sociedades como nações etnicamente diferenciadas. A própria palavra "nação" aponta neste sentido. O termo "nação"deriva de "natio,onis", palavra latina derivada de "natum", supino do verbo "nascor", um verbo depoente da língua latina que significa "nascer". Todos os membros integrantes de uma nação se viam como irmãos nascidos ou descendentes de um mesmo pai. Cada membro da tribo se via como um irmão, filho de um mesmo pai ancestral, diferente de todos os outros.
A dierenciação étnica justificava o comportamento tribal, em constante conflito com o outro, ou os outros, os diferentes.
A diferenciação étnica, a causa de terríveis conflitos ao longo da História, era uma necessidade cármica pela qual a Humanidade teria que passar em sua caminhada evolutiva. para, paulatinamente, desenvolver a superação e a tolerância. A virtude sublime do ser humano: a capacidade de conviver com o diferente. Ou inversamente, a grande fraqueza humana: a nenessidade de só conviver com seus iguais. Daí o comportamento tribal de tantas nações que escreveram a História dos povos na Antiguidade.
É aqui que se coloca a pergunta básica: esse estado de beligerância permanente deveria persistir sempre? Ou, a outra opção: deveria a Humanidade evoluir no sentido de transcender as diferenças e proclamar a paz?
Evidentemente, a direção espiritual do Homem e da Humanidade, lá do alto, está atenta a tudo o que se passa entre nós, aqui embaixo. São as sábias palavras de Lic. Emil Bock: "A História dos Homens é um reflexo da História dos Deuses."
A espiritualidade elegeu um Homem, Abraão, para cumprir a sublime missão de originar um Povo, Eleito, destinado a cumprir a mais nobre missão, como nenhum outro: trazer ao mundo o Messias, o portador de uma Boa Notícia, uma Boa Nova, um Ev Angelion.
Desde o Patriarca Abraão, pasaando por Isaque, Jacó, seus doze filhos, as doze tribos de Israel, Moisés, Josué, os Profetas, os Reis, o Povo , finalmente , no primeiro século dos Novos Tempos, cumpriu-se a longa espera messiânica: o nascimento do Eu Individual.
Foi essa a maior transformação que jamais ocorrera ao longo de toda a História: o impulso para o in-divíduo, indiviso, íntegro, capaz de romper os limites de um clã, de uma tribo, um grupo, uma etnia, uma nação. E encontrar a sua própria identidade , em sintonia.
Basta querer e estará ao alcance de qualquer um harmonizar-se com o impulso crístico e trazer o Novo ao mundo.
Pode também o contrário acontecer. Qualquer tentativa de fossilizar a cultura, reconstituir o passado, olhar para trás e cristalizar-se como uma estátua de sal, estará fadada ao fracasso.
Perdoar é preciso. Errar é humano. Porém o perseverar no erro cobra um preço a quem decide,voluntariamente, olhar para trás e perder o bonde da História.
. Quem estaciona, regride.
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