OS ERROS DE CÁLCULO

 



       Analisando objetivamente os fatos verificamos quantas vezes personalidades respeitáveis cometem  equívocos pueris, incompatíveis com as posições que ocupam.

       No século XX assistimos ao colapso contundente da União Soviética, após sete décadas de penosa existência, onde sucessivos líderes poderosos acreditavam piamente na utopia marxista. Só no finalzinho, já nos seus estertores, é que aparece na URSS uma liderança lúcida que ainda tentou flexibilizar e salvar o que restava do regime.

       Não conseguiu. Gorbatchov foi atropelado pelos radicais arcaicos e o sistema ruiu.

       Uma década depois surge no cenário russo outro grandiloquente, conhecido como Vladimir o Putin, determinado a reconstituir o passado imperial czarista e soviético.  

       Empreendeu algumas guerrinhas curtas contra inimigos fracos, virou herói nacional e deixou o sucesso subir-lhe à cabeça. Como espião-mor da paróquia, o ex-chefe  da KGB enviou seus comandados à  Ucrânia para investigar quão jubilosa seria a receptividade aos invasores russos. Os agentes secretos persquisaram a situação e levaram ao seu chefe a informação que ele queria receber: "As tropas russas serão recebidas de braços abertos."

       O grãomestre em espionagem acreditou e ordenou uma invasão maciça para acachapar uma vitória em três dias, contra  mais um inimigo fraco, tal como os outros.

       Foi um erro de cálculo imperdoável para um oficial daquele escalão. 

       Sob o pretexto de querer acrescentar mais um território aos seus vastos domínios, o  novo Czar  está silenciosamente entregando, infantilmente, todo o seu império colonial, a chamada Rússia Asiática, para seu ex-inimigo, agora convertido em "eterno aliado", o dragão chinês, o qual, sorrateiramente, sem dar um tiro, invade e explora as colônias  siberianas, começando   pela província de Hashenway, agora chamada  Vladivostok, destinada a retornar ao seu antigo dono.

       Esse é o último erro de cálculo daquele que, dizem, era bom em matemática.

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