O SOL
Muita gente ainda acredita que a luz do Sol seja visível. A maioria aposta na visibilidade da luz. Para eles "é claro como a luz do dia." Na verdade o que acontece é exatamente o contrário.
A prova disso é o raio de luz invisível que atravessa o céu noturno em plena noite escura e, ao chocar-se com a superfície da Lua, torna-a visível. Aí a Lua brilha e reina soberana entre os planetas, ainda mais no plenilúnio. São astros iluminados, e não luminescentes. Não têm luz própria.
Essa invisibilidade não é privilégio da luz solar. É propriedade de qualquer luz, irradiada de qualquer fonte luminosa: uma lâmpada, um lampião, uma vela.
Se a lâmpada irradiasse luz visível, todo nosso ambiente familiar estaria feericamente banhado de luminosidade ofuscante.
É providencial que a luz tenha essa propriedade. Imaginemos uma noite inundada de luz. Não haveria noite, o tempo reservado para o nosso repouso. Só haveria dia ensolarado e nossa visão dos astros seria impossível. O céu estrelado estaria permanentemente encoberto. Sem o brilho estelar nossa vida estaria deveras empobrecida.
Sem o luar, nem os poetas nem os apaixonados teriam ali uma fonte de inspiração. O dia claro, com todas suas virtudes, esconde os tesouros do céu.
Poderíamos até afirmar que mesmo o Sol é invisível, pois ninguém jamais o viu, de verdade.
Ninguém se atreve a focar o Sol diretamente. Se o fizer, se dana. Precisa de óculos especiais para atenuar os efeitos deletérios na retina.
O efeito revela a causa, mas não esclarece a essência.
Só a Arte, que transcende, essa abarca o todo, indefinível.
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