A SUPERIORIDADE






       Um sentimennto arraigado ao ser humano é o de superioridade. Por isso mesmo a superação desse sentimento é um dos mais importantes exercícios para o discípulo alcançar a iniciação nos segredos dos mundos espirituais, embora seja um passo sumamete difícil a ser dado.
       De várias formas a tendência à exaltação se manifesta no homem, ou procurando ele próprio elevar-se acima dos outros ou projetando-se na sua nação, na sua etnia, na sua região, no seu time etc. De várias maneiras ele busca compensar suas limitações pessoais extrapolando-se para um âmbito maior. Assim ele tenta curar suas descompensaçoes.
       É o sentimento que está na origem de todas as guerras ou de todas as lutas. As lutas de povos, de clâs, de ideologias, de religiões, de classes etc.
       Acompanhando a evolução da Terra e do Homem desde seus primórdios, vemos surgirem, gradativamennte, as diferentes espécies. Primeiramente as espécies minerais, depois as vegetais, as animais, e por fim a espécie humana, a última a aparecer na face da Terra, o primogênito da Criação, recém-chegado de outros mundos anteriores.
       Essa consciência espiritual é que torna o Homem verdadeiramente simples. capaz de superar toda soberba e arrogância e substituí-la pelo profundo sentimento de gratidão.
       Todas as espécies anteriores, chamadas inferiores, trazem em si a essência humana.
       Já vimos aqui como os elementos químicos, o que existe de mais elementar na matéria terrestre, reagem entre si segundo suas valências, positivas ou negativas, conforme tenham eléctrons a mais ou a menos na camada de valência. O "a mais" e o "a menos" caracterizam o masculino e o feminino, sem nenhum juízo de valor.
       O exemplo mais emblemático é o nosso conhecido "sal de cozinha." É o cloreto de sódio, quer dizer, o casamento do sódio Na+ e o cloro, ou melhor a clora Cl-, formndo uma união estável, uma molécula, o NaCl. O mesmo princípio é válido para todas as reações químicas e substâncias que se formam. 
       Por aí se prova como o reino mineral é humanizado, conforme sua espécie.
       Avançamos para o reino vegetal, e aí verificamos que os primeiros vegetais que surgiram na  Terra multiplicavam-se por reprodução assexuada. Não existiam ainda a flor, o fruto, e a semente. Só posteriormente os vegetais foram capazes de se propagar por reprodução sexuada, pela interação dos gametas masculino e feminino. 
       E existem ainda aquelas espécies vegetais diferenciadas por gêneros, por exemplo a urtiga, macha ou fêmea, e o mamão, macho ou fêmeo. A humanização avança mais.
       Avançando na escala evolutiva surgem então os seres animais mais  primitivos que se reproduzem por divisão, como por exemplo as amebas, assim como células que se multiplicam por cissiparidade. A reprodução celular  e os unicelulares não exigem a diferenciação de gêneros.
       Só mais tarde surge no reino animal a diferenciação macho-fêmea, portanto a reprodução sexuada, tal como no ser humano hoje.
       Enfatizemos aqui o conceito de "ser humano hoje."
       É que nem sempre foi assim. Tal como as células do corpo hoje, primeiramente o ser humano se reproduzia por si mesmo. Não havia ainda a diferenciação homem-mulher.
       Só mais tarde, após a Lua se separar da Terra, é que se iniciou um processo de separação dos sexos, tal como descrito na "Crônica do Akasha", de Rudolf Steiner.  
       Vemos assim que os processos ocorridos na evolução humana são antecipados na evolução animal, e antes ainda na evolução vegetal,  e mais anteriormente na evolução mineral.
       Como assim, na evolução mineral?
       Sim. O primeiro elemento da Tabela Periódica é o hidrogênio, o número 1, o primogênito. o protoelemento. O hidrogênio tem em seu núcleo apenas 1 próton e nenhum nêutron. Vivia só, como o Homem antes da separação da Lua ou Adão, primeiramente sozinho no Paraíso.
       Porém quis a evolução que o hidrogênio gerasse o hélio, o segundo elemento, de número atômico 2 e massa atômica 4. E depois veio o lítio, o berilo e todos os outros existentes na natureza e classificados na Tabela Periódica dos Elementos.
       Desse modo a   "humanização" nos quatro reinos ajuda-nos a superar todo sentimento de arrogância ou superioridade, visto que num reino anterior alguns seres ficaram para trás para que outros pudessem avançar para o reino seguinte. 
       Assim o salto do reino mineral, sem vida, para o vegetal, só foi possível porque uns seres minerais permanneceram estacionados para que outros pudessem avançar e receber um corpo vital-etérico, como plantas no reino vegetal.
       Da mesma forma seres vegetais estacionaram para que outros seguissem adiante e recebessem um corpo astral próprio do reino animal.
       Igualmente seres animais foram, por assim dizer, "excluídos", para que outros pudessem continuar e receber um "eu", adequado ao ser humano.
       Assim entendemos porque todo ser humano, de antemão, carrega uma dívida cármica para com os reinos ditos "inferiores". ´Nós, humanos, somos hoje o que somos, dotados de um "eu", porque outros ficaram para trás, em nosso benefício.
       Quem se julga melhor, não está saldando a sua dívida. Pelo cotrário, está sim, contraindo novas.
       

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