A EVOLUÇÃO
Contemplando a evolução dos diversos seres da natureza identificamos três processos bem característicos, a saber , a emancipação, a interiorização e a verticalização.
No reino vegetal a alga, aquática, é clorofilada e realiza a fotossíntese, formando ela própria suas substâncias, Contudo, a alga, desprovida de raízes, é apenas uma folha que absorve os nutrientes dissolvidos na água. A alga realiza a absorção passiva via folha.
Ansiando emancipar-se da água e alargar seus horizontes, a alga une-se ao fungo e dessa simbiose resulta o líquen, emancipado da água, como o primeiro vegetal a iniciar a conquista do espaço externo, terrestre, fora d'água.
A simbiose alga-fungo viabiliza o grande salto evolutivo da água para a terra, realizado graças à cooperação associativa de duas espécies, a alga, clorofilada, fazendo fotossíntese, e o fungo, não clorofilado, identificado com o escuro e a umidade.
Esse primeiro impulso só foi possível graças à mutualidade entre duas espécies diferentes. A simbiose evidencia que o motor da evoluçao não é a competição e a luta pela vida (Struggle for life), e sim a cooperação associativa; não a guerra, mas a paz.
A evolução contiua e surge no mundo o segundo vegetal, o musgo, verde, como uma minúscula árvore, ereta, contendo na base os primeiros vestígios de um sistema radicular, os rizóides, Essas organelas absorventes, já são capazes de liberar ácidos orgânicos, solubilizar a rocha, formar um solo e extrair do solo os nutrientes de que necessita, por esforço próprio. Um notável avanço evolutivo. A absorção passiva via folha progride para a absorção ativa via rizóides.
É esse mais um argumento, na agricultura, a favor da adubação sólida via solo e raíz, e não adubação líquida foliar. A adubação foliar, hidrossolúvel, induz o vegetal superior a retroceder ao estágio de planta aquática, há muito superado.
O musgo emancipa-se da água, parcialmente, pois exige uma superfície úmida sombreada para proliferar. Contemplar uma superfície coberta de musgo equivale a sobrevoar uma floresta densa.
A postura ereta do musgo aponta para a verticalidade rumo ao Sol, ao passo que o líquen é uma superfície plana acomodada sobre seu hospedeiro. Toda essa evolução obedece a uma lógica perfeita. seguindo o princípio da "intencionalidade" e não da mera "casualidade". A evolução intencional pressupõe uma superior inteligência que dirige a sequência racional dos fatos.
Após o fungo seguem-se outras espécies vegetais, com sistemas radiculares mais complexos, capazes de formar crescentes volumes de solo. São as avencas, as samambaias, as cavalinhas, espécies "inferiores" que se reproduzem assexuadamente. Ainda não existiam flores, frutos e sementes, componentes da reprodução sexuada, que surge mais tarde, continuando a marcha evolutiva.
Um detalhe importante é que a flor pode ser ou só masculina ou só feminina, como na abóbora, induzindo à polinização cruzada, onde o pólen é transportado pelo vento ou por um inseto, abelha ou mangangaba, de uma flor para outra, distante, propiciando a variabilidade. Biodiversidade é prerrequisito para a sobrevivência das espécies. Grandes monoculturas e populações tribais monoétnicas e consanguíneas são mais vulneráveis a patógenos e tendem à extinção.
Outro traço interessante é que na flor contendo os dois gametas, masculino e feminino, um dos mecanismos é o feminino colocar-se mais acima, rodeado de vários masculinos, um pouco abaixo. O feminino eleva-se num pedestal, cobiçado por vários masculinos à sua volta. Uma estratégia para dificultar ou impedir a autofecundação, logo favorecer a heterogeneidade. A evolução sinaliza da biouniformidade para a biodiversidade e a tolerância entre os diferentes.
O melhor exemplo de tolerância é o exercido no seio da família, entre marido e mulher.
Essa caminhada não para, e lá na frente surge a classe das gimnospermas, uma palavra composta grega significando "semente nua" (gymnos=nu, sperma=semente). É o caso do pinheiro, onde a pinha carrega os pinhões do lado de fora. Cerca de 200 milhões de anos depois surgem as angiospermas (aggeion=vaso, sperma =semente). Aí a semente é protegida no interior do fruto, como no abacate, na manga e na laranja. As gimnospermas crescem pronunciadamente para o alto, como um cone. São coníferas. As angiospermas são árvores frondosas.
A semente levou 200 milhões de anos para migrar de fora para dentro.
Percorrendo a estrada da vida, emancipação, interiorização e verticalização acompanham o caminhante em todo o percurso.
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