O HISTÓRICO

 


       A autocracia ditatorial tem uma característica básica em qualquer lugar. Diferente da democracia, com alternâcia periódica de poder, o autocrata não recohece limites para seu domínio. Permanece absoluto enquanto pode. Foi assim com Hitler, Mussolini, Stalin, Ceausescu, e tantos outros, no passado, e é assim no presente. 

    Venezuela é um exemplo. Chaves permaneceu até o fim e seu sucessor, Maduro, foi recentemente destronado por um golpe americano.

       Em Cuba Fidel Castro ficou no poder enquanto quis, passou para seu irmão, e o atual aguarda o momento de sofrer um golpe. É o destino de todos os outros, na Nicarágua,  na Coréia, na Rússia. 

       Entre nós, na América do Sul, todas as ditaduras tiveram um fim, inclusive a nossa ditadura militar.

       Implantada em 1964, "para salvar a democracia", pretendia realizar eleições livres dentro de dois anos. Carlos Lacerda, que já havia realizado um excelente governo no Estado da Guanabara, era o virtual candidato civil a presidente. Foi cassado, e a ditadura militar se manteve por 21 anos.

       Paralelamente, os guerrilheiros se organizavam para, através da luta armada, aplicar o golpe, derrubar a ditadura militar e substituí-la pera ditadura do proletariado. Guerrilha contra guerra. 

       Os guerrilheiros foram derrotados  e permaeceram latentes, temporariamente.

       Em 1980, nos estertores da ditadura militar, foi fundado o PT, o Partido dos Trabalhadores, congregando sindicalistas, movimentos eclesiais de base e, naturalmente os ex-guerrilheiros, revolucionários marxistas, com a mesma proposta de perpetuarem-se no poder, sob a liderança do ex-operário Lula da Silva.

       A democracia foi restaurada, e após várias tentativas, finalmente o PT alcançou o poder, em eleições livres, a exemplo de outros ditadores no passado. 

       Até então Lula, absoluto, exercia o poder, no sindicato, e depois no Partido. Compensava sua baixa escolaridade com forte carisma e retórica. Dominava, incontestável, a massa e os adeptos. O PT assumiu o poder, propondo-se conservá-lo  pelo menos por 20 anos. Conseguiu, com um breve interregno de 4 anos. 

       Em meio ao domínio petista, uma outra força, igual e contrária, surge no cenário político, com a proposta de reconstituir a ditadura militar e aniquilar o esquerdismo petista. Era o mais do mesmo.  Assim como o lulismo se disfarçava de marxista, agora era o bolsonarismo disfarçado de direitista. Iludiu muita gente, e graças a uma providencial facada, muito bem tramada, sensibilizou a maioria e ganhou a eleição, democraticamente.

       Aliado de uma forte ala militar, propuha-se governar indefinidamente. confiante na adesão da 

massa, de ricos, de pobres, e de remediados.

       Suas previsões falharam. Derrotado, logo partiu para organizar o golpe, com o apoio de populares e militares. Não todos. Sua proposta era seguir o exemplo de seu companheiro Trump, que já havia tentado em vão, invadir o Capitólio e instalar-se no poder, rompendo uma tradição estabelecida desde 1776. Não conseguiu.

       Bolsonaro acreditava ser mais hábil e alcançar seu objetivo; invadir o Palácio do Planalto, promover o quebra-quebra, e entronizar-se no poder. Durante dois meses tudo foi muito bem planejado, nas imediações do Palácio, sob a severa vigilância da polícia.

       Bolsonaro fugiu a tempo, mas delegou poderes a seus correligionários. 

       Poucos dias depois de sua fuga, a  tentativa de golpe foi executada, em 8 de janeiro, sob os olhares complacentes da segurança, instruída para permitir o vandalismo, e em seguida, executar a prisão dos 1400 vândalos no flagrante. Tudo muito bem planejado e executado, para surpresa geral dos golpistas. O Governo venceu.

       Tanto no Capitólio como no Planalto, ficou patente a incompetência dos revoltosos. A diferença é que lá o líder da balbúrdia foi reeleito e no primeiro dia anistiou todos os arruaceiros. Aqui a liderança golpista ainda tenta recuperar o poder e, no primeiro dia, anistiar o chefe e seus baderneiros.

       E proclamar a vassalagem americana.

       Seu adversário não. Pelo contrário, promete instituir a vassalagem chinesa.

       

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