O IMPERIALISMO
Toda nação que se julga suficientemente forte, parte para conquistar novos territórios além de suas fronteiras. Sempre foi assim no passado e continua sendo no presente. Até quando continuará sendo assim no futuro, ninguém sabe. O futuro pertence aos especuladores.
Foi o que aconteceu no Império Grego, no Romano, no Turco-otomano, no Austro-húngaro, no Mongol, no Português, no Espanhol, e em tantos outros.
É o que continua acontecendo no Império Russo, no Americano e no Chinês etc. É o ímpeto expansionista ilimitado.
Tomemos como exemplo o expansionismo russo. Começou pequeno como um simples Condado de Moscou. Expandiu-se em várias direções e chegou até os Montes Urais. Atravessou essa barreira natural, e no século XVI o cossaco Yermak, a serviço do Czar Ivan o Terrível, conquistou a Sibéria como "Colônia Interna do Império." Pôde assim explorar as peles, o ouro, a pelúcia, e alcançar o litoral do Pacífico. Construiu vários fortes, enquanto arrecadava impostos sobre as peles. E ainda atravessou o Estreito de Bhering e conquistou o Alaska.
O Império Russo continuou colonizando a Sibéria, instalando camponeses russos na região sul.
No século XVIII a Czarina Catarina II anexou a Criméia., a qual permaneceu colônia russa até 1954, quando então foi transferida para a Ucrânia em comemoração ao 300º aniversário da integração da Ucrânia ao Império Russo dos Czares.
Na virada para o século XX a Rússia construiu a Estrada de Ferro Transsiberiana e assentou um milhão de colonos russos e ucranianos, na onda de russificação.
No período soviético-stalinista, milhões de "inimigos do povo" foram deportados para lá, como "partes do povo soviético", sob o comando da Rússia. Muitos jovens idealistas também migraram para a Sibéria, com o propósito de "construir o socialismo." Ao fim da União Soviética 80 % da população siberiana era russa.
Uma nova onda expansionista foi inaugurada no governo Putin.
Começou com pequenas guerras contra inimigos fracos: Chechênia, Geórgia, Moldova, Criméia e Donbass.
As pequenas vitórias acachapantes contra inimigos fracos, motivou o líder russo a empreender algo maior e conquistar a Ucrânia inteira, também considerada um inimigo fraco, como trampolim para novas conquistas, no afã de reconstituir o antigo Império Czarista e o Império Soviético.
Como sempre acontece com todos os Impérios, em algum momento a onda avassaladora é contida e a História toma novos rumos, enquanto as grandes potências não se decidem.
Hoje de um lado os EUA, o maior Império industrial-militar de todos os tempos, recusa-se a apoiar decisivamente a Ucrânia para ganhar e terminar logo com a guerra. Deixa a guerra arrastar-se, em benefício da indústria bélica.
Do outro lado o incipiente Império Chinês, a segunda maior potência industrial-militar atual, deixa sua "eterna amiga Rússia" sangrar lentamente, enquanto invade e ocupa, econômica e culturalmente, a Sibéria, sua próxima conquista colonial.
E assim os capítulos vão-se sucedendo, obedecendo à mesma lógica: invadir, ocupar, dominar, explorar, o quanto possível, até que uma força maior se contraponha.
O Brasil, neste momento, tenta equilibrar-se numa corda bamba. A política está polarizada, meio a meio. O eleitor está confuso. Na hora da eleição, na urna, ele vai decidir se prefere a vassalagem americana ou a chinesa.
A menos que apareça, no minuto final, uma milagrosa terceira via.
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