O CONHECIMENTO
"Conhecer" é uma das palavras mais interessantes para especulações linguísticas e filosóficas. Meditando sobre esse verbo chegamos a conclusões impressionantes.
Etimologicamente o verbo conhecer deriva do latim "cognoscere", cujos tempos primitivos são "cognosco, -gnovi, -gnitum". Logo de início salta à vista o fato de o português colocar a letra "e" em lugar de "o". A última flor do Latium, o português, distanciou-se de sua origem mais do que o espanhol, a penúltima das línguas latinas.A língua de Cervantes conservou o "o" original e traduziu "cognoscere" por "conocer". É um enigma linguístico porque o português substituiu o "o" por "e" e grafou "conhecer".
O latim, derivado do grego, manteve o "o" de sua língua-mâe. Derivou "cognoscere" de "gnosis", palavra grega que significa "conhecimento". Chegamos aqui ao substantivo derivado do verbo. Agora podemos especular filosoficamente.
Onde é que surge o "conhecimento" pela primeira vez? No Paraíso.
No antigo Jardim do Éden padisíaco, vivia Adão, satisfeito consigo mesmo, em meio de sua solidão. Foi quando o Criador percebeu essa lacuna e, a partir de uma costela de Adão, criou sua companheira, a Eva. Simbolicamente foi esse o primeiro exemplo de clonagem. Mas não totalmente. A despeito de toda semelhança homem-mulher, algo fundamental os diferenciava: a posibilidade de se "conhecerem" intimamente. De fato Adão nâo "conheceu" Eva, em nenhum momento, nem se excitou com sua nudez. Viviam a infância da Humanidade. E assim permaneceram, até que, comendo o fruto do "conhecimento", envergonharam-se, cobriram seus corpos , foram expulsos, e só então Adão "conheceu" Eva e tiveram filhos. Foi uma evolução necessária. Não poderiam continuar infantis indefinidamente. A Biologia o comprova: a reprodução assexuada, própria de organismos primitivos, evoluiria para a futura reprodução sexuada atual.
O chamado Pecado Original foi a transgressão de uma exigência divina de não comer do fruto da Árvore do Conhecimento, plantada no Éden pelo próprio Criador. Essa árvore era a macieira, em latim "malus", da qual deriva "malum", a maçã, o fruto da Árvore do Conhecimento, a mesma palavra usada para designar o Mal, aqui escrita com letra maiúscula, no mesmo nível de o Bem. Bem e Mal são polaridades equiparadas a Homem e Mulher, em igualdade de condições. Duas faces da mesma moeda.
Mas a questão jurídico-filosófica não termina aí.
A perda da inocência era proibida para a Humanidade ainda na infância.E foi justamente Eva, o complemento do Homem, inspirada pela serpente, que primeiro ousou comer o fruto e oferecê-lo ao companheeiro. Era a rebeldia da adolescência que visava a maioridade. Foram expulsos, e na entrada do Jardim, postou-se um Anjo, armado de uma espada flamejante, para garantir que não voltassem. E assim prosseguiu a História da Evolução: o Homem, a Mulher, seus filhos e toda a descendência, individualizados, ganhando a vida com o suor de seu rosto, e reproduzindo-se com dor, até nossos dias. E até um futuro distante, quando a Humanidade poderá reconquistar o Paraíso Perdido.
O poeta inglês Milton bem o descreveu: o Paradise Lost evoluiu para o Paradise Regained.
O Paraíso Reconquistado
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