O DESESPERO
Qualquer pessoa pode em algumas fases da vida sofrer momentos de grande aflição em função de circustâncias alheias à sua vontade.
Aqui interessa-nos expor as crises de desespero que afetam grandes líderes nacionais sem que haja nenhuma coerção externa. As próprias vítimas criam condições para tais situações.
Na Rússia o Presidente Putin está desesperado, tomando decisões absurdas para sobreviver, como pessoa e como político.
Até 2022 a Rússia vinha crescendo em ritmo constante, vendendo petróleo, gás, fertilizante etc.,para o Ocidente, a preço de mercado, e assim poderia continuar por muito tempo.
É claro que, de antemão, sabemos que nenhum país pode se manter indefinidamente só da exploração de recursos naturais. As jazidas são limitadas e não renováveis. Um dia esgotam-se.
Independente disso o líder russo Putin, inconformado em dominar apenas um território de 17 milhões de km2, abrangendo não só a Rússia européia, como também as colônias transuralianas da Sibéria, conquistadas pelos antigos czares, mantidas pelos soviéticos e pelo atual Vladimir, o Putin.
Movido por desmedida ambição territorial, e almejando a glória dos grandes heróis, o chefe russo decidiu investir em pequenas guerras contra inimigos fracos, Chechênia, Geórgia , Moldávia, Criméia, Donbas e Ucrânia, para ele também um inimigo fraco a ser conquistado em três dias, em fevereiro de 2022.
Seus cálculos falharam. Agora, 4,5 anos depois, na iminência de uma derrota, o povo acorda para a realidade e reage.
Sobre Putin abate-se o desespero e ele é obrigado a vender seu petróleo e seu gás para a India e para a China, pela metade do preço, enquanto lhe sobra alguma coisa nas refinarias em chamas.
Mas ainda lhe resta uma última esperança: seu arquiamigo Trump.
O fato é que o atual presidente americano sempre devotou grande admiração e apreço por seu ídolo russo, justamente por ser este o grande ditador que aquele sempre queria ser, sobretudo após a fracassada invasão do Capitólio. A sólida democracia americana não o permitiu. Mas permitiu que ele se reelegesse, apesar de já ter demonstrado sua inabilidade na gestão anterior.
Após muitas idas e vindas, ora apoiando, ora atacando seu amigo russo, agora, no segundo mandato, sua fraqueza ficou evidente ao ceder às pressões de seu outro amigo, o israelense Netaniahu, e juntos embarcaram numa guerra absurda contra o Irã, provocando o fechamento do Estreito de Ormuz e a duplicação do preço da gasolina nos postos americanos. Inadvertidamente Trump mexeu neste vespeiro, visto que o carro é o símbolo máximo do sonho americano, o bendito "american dream", às vésperas das eleições de meio-mandato. Quanta ingenuidade!
Para Putin nem tudo está perdido. Levado pelo desespero Trump apela para seu desesperado amigo e fecha um contrato para importar petróleo russo, na esperança de baixar o preço da gasolina nas bombas e apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, a mesma Ucrânia que lhe prometera ajuda com os drones para combater o Irâ.
Mas Putin também não está com essa bola toda. Suas refinarias estão em chamas, atacadas pelos drones ucranianos que iriam liberar o Estreito de Ormuz.
É incompetência ou fraqueza? Ou ingratidão?
É o russo que vende para o americano, pressionado pelo amigo israelense, que precisa perpetuar a guerra para prorrogar sua imunidade parlamentar, manter seu povo alinhado, e livrar-se dos processos que correm contra ele no Tribunal de Tel Aviv.
Parece cômico.
Esperar que os três amigos se pacifiquem e concorram ao Prêmio Nobel da Paz.
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