A NOVELA

 



       O Polo Agrícola de Valença,RJ, é uma escola estadual para formação de técnicos em agropecuária, localizada num terreno de 25 ha. Ali só existia a escola para ministrar aulas teóricas para os alunos. Na área externa não se fazia nenhuma  prática, nem em agro nem em pecuária.

       Como Secretário Municipal de Agricultura, nomeado pelo Prefeito Dr. Álvaro Cabral para levar ao Município a Agricultura Biodinâmica, sugeri à Prefeitura implantar naquela área uma fazendinha funcionando rigorosamente segundo os padrões biodinâmicos. A proposta era montar ali um projeto-piloto que serviria de modelo para os fazendeiros da região, visto que o município tinha três Cooperativas de Leite e três laticínios particulares, produzindo um total de 100 mil litros por dia e respectivos derivados.

       O Prefeito ,  a princípio, relutou. pois a Escola era do Estado. Eu, porém, insisti em tentar transferir a área para o Município. Eu tinha uma carta na manga, escondida para qualquer eventualidade. Agora era a minha oportunidade de jogá-la na mesa.

       Quando eu ainda era professor de alemão em meu curso livre em Ipanema, uma de minhas alunas era Maria Yeda Linhares, professora de história e recém-chegada do exílio na França. Nos intervalos ela me contava a sua história pessoal.

Quando era diretora da Rádio MEC, foi expulsa do país em 1964, estabeleceu-se em Paris, e vários anos depois, retornou ao Brasil por ocasião da abertura política promovida pela ditadura militar, em companhia de Leonel Brizola e outros revolucionários.

       Naquela época Maria Yeda foi nomeada Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, a cuja posse eu compareci e a parabenizei.

       Algum tempo depois Maria Yeda assumiu a Secretaria Estadual de Educação no Governo Brizola, enquanto eu assumia a Secretaria Municipal de  Agricultura em Valença, RJ.

       Depois de eu muito insistir, finalmente o Prefeito consentiu que eu fosse,  pessoalmente, solicitar a Maria Yeda a transferência daquela área para o Município.

       Minhas chances eram mínimas, já que eu não tinha nenhum cacife político, na opinião de certos companheiros. Eu não tinha nenhum partido. Eu dizia, meu partido é o PV, Partido de Valença, o que só provocava risos. 

       Solicitei um carro com motorista, procurei a Maria Yeda, e  ela prontamente atendeu o meu pedido e me instruiu como redigir o requerimento, protocolá-lo no guichet próximo, carimbar e levar o documento em mãos  para ela assinar. Tudo resolvido em poucos minutos.

       Voltei para casa já com a área externa do Polo Agrícola concedida para nós.

       O próximo capítulo dessa novela foi a implantação da fazendinha-modelo, superando vários obstáculos impostos por certos companheiros.

       Voltem na próxima semana.

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