O ACORDO NUCLEAR

 


       Em 1969 fui contratado para dar aulas diárias, particulares, de alemão, para Sr. Paulo Nogueira Batista,  um diplomata brasileiro. O objetivo era prepará-lo para assumir o cargo de Ministro Conselheiro na  Embaixada Brasileira em Bonn, capital da Alemanha Ocidental. Foi um curso intensivo de 30 aulas.

       Impressionava-me a facilidade com que o Min. Cons. Nogueira Batista assimilava as complicadas regras e declinações da lingua alemã.  No mês seguinte ele viajou para a Alemanha e perdi o contato.

       Cinco anos depois deparei-me com sua foto na primeira página do Globo.  Ele voltara para o Brasil como  Presidente da Nuclebràs. 

       A princípio nada entendi. Qual deveria ser a relação entre Itamaraty , Alemanha e Energia Nuclear?

       Poucos meses depois, em 1975, fui  contratado para dar cursos intensivos de alemão para os diretores da Nuclebrás e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Era um trabalho regiamente remunerado, o que muito me ajudou no investimento que eu vinha fazendo no Sítio Bonsucesso, em Duas Barras,RJ.

       Por algum tempo continuei não entendendo a relação entre alemão e energia nuclear. As aulas prosseguiam muito bem. Eu tinha ali o contato diário com as maiores autoridades em Física.  Um deles era até professor universitário. Paralelamente eu vinha me aprofundando  nos estudos da agricultura biodinâmica, um método agrícola lançado na Alemanha em 1924, com o qual eu tive meu primeiro contato em 1967, em Stuttgart.

       Um dos meus temas preferidos da biodinâmica eram as chamadas "Transmutações Biológicas",  ou seja as reações bionucleares a baixa energia, catalisadas pelos  preparados BD. 

       Uma vez ousei tocar nesse assunto com a turma. Foram todos sinceros em reconhecer que não havia explicação para tal  fenômeno. A Ciência só admitia reação nuclear a alta energia, num reator ou numa bomba atômica. Nenhum deles conseguiu me explicar, nem em português nem em alemão.

       Eu também não conseguia entender por que curso de alemão na CNEN e na Nuclebrás.

       Até que uma vez, no intervalo, no cafezinho, um diretor se aproximou e cochichou para mim: "O Brasil está negociando um grande acordo nuclear com a Alemanha. É segredo, não conta prá ninguém."

       Guardei segredo até o mês de junho. Foi aí que, de repente, apareceu nos jornais: "Brasil ingressa na era nuclear. Acordo do século."

       A princípio fiquei até animado. Porém, estudando a biodinâmica, paulatinamente fui desenvolvendo a consciência ecológica. E logo tornei-me um inimigo da energia nuclear. Ao mesmo tempo estava ali contribuindo para o projeto de Angra II e mais 7 usinas previstas no Acordo. Era o maior risco de poluição radioativa possível.

       Minha consciência pesava, enquanto eu pensava em abandonar o Acordo.  Mas a remuneração era muito boa, e assim fui adiando minha decisão. Até que, no final de 1977, tomei a decisão: Cancelei todos os meus compromissos no Rio e retirei-me para o Sítio Bonsucesso. Fui morar no campo, sozinho, com meus livros, meus discos, e nada mais. Não tinha nem luz elétrica. Tinha vela, lampião, uma eletrola a bateria e um radinho de pilha.

       No radinho eu ouvia música e as notícias. Eu queria saber como evoluia  o Acordo Nuclear. E começava a desconfiar que aquela história do Acordo tinha outros significados.  Seria, talvez, uma oportunidade para Brasil e Alemanha desenvolverem, juntos, uma bomba atômica teuto-brasileira. 

       Pelo radinho fiquei sabendo que o tal Acordo Nuclear havia sido desfeito. Só muito depois o governo PT cogitou de reativar o Acordo, com a Alemanha, e depois fechar com o Irã. Não conseguiu, mas agora tenta com a Rússia. Quem sabe não será esta a futura bomba russo-brasileira? 

       O fato é que  o Acordo foi desfeito, o Brasil desenvolveu uma tecnologia própria para Angra II e partiu para construir Angra III.

       No meio da obra a Lavajato entrou em  ação e descobriu um terrível esquema envolvendo  várias empreiteiras.

       Para nossa tristeza parece que a obra em Angra III foi reiniciada.

       Um investimento absurdo para suprir 3% da necessidade energética do país.

       A insânia já existia na ditadura militar, continuou com o PT, com o PL e só deverá terminar com o Novo.

       


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