OS NÚMEROS
Para as cartomantes as cartas não mentem. Para as quiromantes as linhas da mão não mentem.
Para os matemáticos os números não mentem. 2+2=4 em qualquer lugar do Universo.
Eu também prefiro basear-me em fatos reais: as estatísticas não mentem.
Pela Estatística cada brasileiro gera, em média, meio quilo de lixo orgânico por dia. Quer dizer, uma cidade de 100 000 habitantes produz, diariamente, 50 000 kg = 50 toneladas de preciosa matéria orgânica.
No Brasil, a partir de 1500, e até antes, pelos indígenas. todo lixo era despejado em qualquer lugar, arbitrariamente. O progresso continuou , e o lixo passou a ser despejadao também em corpos d'água, rios, lagos, lagoas ... Era muito prático, aparentemente. Toda a sujeira produzida numa comunidade era automaticamente , a custo zero, transportada para uma outra comunidade distante, situada a jusante do rio. Esta por sua vez, recebia toda aquela carga infectante dos vizinhos a montante, acrescentava a sua própria carga de dejectos e transferia tudo para os ribeirinhos mais abaixo. Não é de se admirar que tantas endemias, epidemias, pandemias, pestes bubônicas e surtos gripais tenham surgido ao longo da História do Brasil e da História Geral.
Imaginemos o Rio Paraíba do Sul, com 1137 km de extensão, que banha a cidade de Barra do Piraí,RJ. Eu próprio nasci ali, na Rua Angélica, às margens do Rio Paraíba. Este rio banha 180 municípios em SP, RJ E MG. Podemos calcular a carga transportada por via fluvial desde sua nascente.
O progresso continuou e a Lei proibiu contaminar os rios. Os melhores municípios montaram então os seus lixões a céu aberto. Por exemplo o Lixão de Quirino, que recebe e mantém o lixo gerado na sede do Município de Valença.
O progresso continuou e os melhores Municípios construíram belos lixões a céu fechado, os chamados Aterros Controlados ou Aterros Sanitários. Toda a riqueza contida no lixo urbano passou a ser despejada nos tais aterros, fechados por cima com terra, e às vezes por baixo com lona.
A cobertura cria condições para a produção de gás metano,CH4, e sua volatilização para a atmosfera, agravando o efeito estufa e o aquecimento global. Lembremos que o CH4 é 23 vezes mais nocivo que o CO2.
Se o aterro não for bem revestido, ele permitirá a lixiviação do chorume para o subssolo e para o lençol freático.
Quando o Município não possui aterro, ele transporta o seu lixo, diariamente, até o aterro mais próximo, a dezenas de quilômetros de distância.
Os números não mentem. Podemos calcular o custo financeiro e o custo ambiental dessa prática, exigida por Lei.
Eu próprio, credenciado pela ABD, testei alguns projetos de descarte e coleta seletiva, reciclagem e compostagem de resíduos urbanos, domiciliares e industriais, com excelentes resultados. O precioso resíduo, reciclado e compostado, não se acumula como fator poluente. Ele entra e sai, com valor agregado.
Cito aqui o mestre José Lutzenberger: "Ecologia é Economia da Natureza. Soluções ecológicas são simples e eficientes. E democráticas."
VAMOS RECICLAR, MINHA GENTE!!!
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