AS PRIVATIZAÇÔES
Um tema recorrente na política econômica nacional é o das privatizações. A polêmica não tem fim. Uns são contra, outros são a favor, uns e outros muito pelo contrário. As contradições são gritantes.
Getúlio Vargas, um rico fazendeiro latifundiário, inaugurou a era das grandes estatais, as jóias da coroa socialista.
Em 1941 fundou a Cia. Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, longe das fontes de minério, longe dos centros industriais, e perto de Amaral Peixoto,seu genro.
Em 1942 Vargas fundou a Cia. Vale do Rio Doce, para explorar minério em MG, fornecer para RJ abastecer SP.
Em 1953 criou a Petrobrás para explorar petróleo, que não existia no Brasil, segundo os americanos.
Em 1993 foi privatizada a CSN.
Em 1997 foi privatizada a CVRD.
Em 1992-1994 foram privatizadas algumas subsidiárias da Petrobrás.
Consta que empresas estatais deficitárias tornaram-se superavitárias, sem mais receber subsídios e gerando impostos para o Estado.
O argumento é que o Estado não tem vocação empresarial, gerido por políticos eleitos pelo povo (Democracia), ao passo que empresas são administradas por profissionais competentes (Meritocracia).
O fato é que a ditadura militar, implantada em 1964 para salvar a Democracia, com Castelo Branco à frente, encastelou-se no poder por 21 anos, sustentando 150 empresas estatais com impostos pagos pelo povo.
Dentre as estatais estavam as empresas de telecomunicações, as chamadas "teles", caracterizadas por sua alta ineficiência.
Tamanha era sua incapacidade de ampliar as suas redes telefônicas, que deu margem ao surgimento de uma classe empresarial, os donos de telefone. Eram empreendedores que compravam e alugavam telefones, explorando a carência do produto na praça. Um negocião.
Em 1990 veio o primeiro governo democrático pós-ditadura, pregando o Estado Mínimo, a mínima intervenção estatal nos negócios particulares. A maioria acreditou, porém, na calada da noite, no primeiro dia, o Governo aplicou o maior golpe na economia dos eleitores. Confiscou a poupança e a conta-corrente, para combater a inflação via empobrecimento geral do povo.
Era a lógica neoliberal. Reprimir o consumo, numa sociedade de consumo, a bem da sociedade.
Muita gente dormiu rica e acordou pobre.
Ocorreram algumas privatizações, a despeito do monstruoso intervencionismo. Qual diagnóstico daria um psiquiatra a esse paciente?
Rodovias foram privatizadas. Bancos estaduais idem. A esquerda "jurou muito contra a idéia". (G. Rosa).
As opiniões divergem. Dia 25 próximo o eleitor decidirá. Ou opta pela vassalagem americana ou pela vassalagem chinesa.
A Ciência Espiritual Antroposófica apresenta uma terceira opção, uma terceira via, onde as primeiras sementes estão sendo lançadas. É a Trimembração do Organismo Social.
É a sociedade constituída de três setores, independentes e harmônicos, com atributos próprios.
O setor cultural, livre; o setor jurídico, igualitário;e o setor econômico, fraternal.
Liberdade, igualdade,fraternidade. Os três ideais da Revolução Francesa de 1789 são agora resgatados para serem partes do quotidiano.
Em algumas publicações Rudolf Steiner e outros expõem essa proposta.
Historicamente temos o exemplo russo. Primeiro a violenta estatização no regime soviético. 70 anos depois o colapso total do estatismo, seguido da caótica privatização oligárquica.
Em 100 anos a Rússia demonstrou a inviabilidade dos dois modelos. Ambos resultaram em caos, econômico, social e cultural. Prevalece o estado de guerra onipresente, no sovietismo e no putinismo.
O que ensina o Organismo Social? A desprivatização do capital. É uma forma de neutralizar o poder do dinheiro, não confiscando arbitrariamente. Espontaneamente o capitalista abre mão de seu poderio monetário e delega a pessoas gabaritadas a função de administrar a empresa, profissionalmente.
A ênfase está na espontaneidade, sem nenhuma coerção externa.
Da mesma forma no setor jurídico. Todos são iguais perante a lei, independente da raça, da cor de pele e da profissão, civil ou militar.
No campo cultural, a liberdade, de opinião, de religião, de locomoção, respeitando-se o direito do outro.
Vários exemplos concretos demonstram a viabilidade dessa proposta, ainda incipiente, com amplas perspectivas de prosperar.
Oportunamente traremos aqui exemplos práticos de como esse modelo pode funcionar..
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