BONHOEFFER
Nascido em 1906 e falecido aos 39 anos de idade em 1945, era um teólogo alemão , um dos primeiros a perceber o fenômeno de uma grande massa de pessoas aderir a uma proposta absurda e montar a máquina de destruição nazista na II Guerra Mundial
O que mais impressionou a Bonhoeffer foi o fato de que pessoas comuns, cidadãos pacatos, corretos, unirem-se para cometer terríveis atrocidades. É o poder do engodo, da ilusão, da sugestão, que transforma as pessoas e as condicionam a comportar-se como monstros, entorpecidos pela maioria.
Foi o que aconteceu na Alemanha, na pátria de Goethe e Schiller, de Beethoven e Brahms, de Hegel e Nietzsche.
A turba desvairada, correndo para o abismo.
Bonhoeffer explica como uma estrutura inteligente e bem articulada molda e uniformiza o pensamento de uma sociedade inteira. Como foi possível substituir o discernimento pessoal e diferenciado por uma cultura de massa em que o indivíduo não conta?
Era uma diretriz nazifascista. Um estereótipo concebido por um e viralizado para todos.
O resultado foi a destruição, alheia e própria.
A França foi invadida e dominada pela Blitzkrieg. A ordem era destruir Paris. Destruir a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Catedral de Notre Dame e quanto fosse possível. O general alemão, encarregado dessa tarefa, desobedeceu. Não executou a ordem, correndo o risco de ser eliminado. Preservou os símbolos da cultura francesa. Sempre existe uma exceção.
Na Rússia Soviética, um fato semelhante. O genial Mal. Zhukov, brilhante estrategista militar, desobedeceu às ordens superiores, estruturou o exército e derrotou os invasores, em Moscou, em Kursk, em Stalingrado, em Leningrado, e por fim expulsou os inimigos, entrou em Berlim e pôs fim à II Guerra Mundial.
A proeza foi celebrada na Praça Vermelha, com tropas desfilando, tendo à frente o Mal. Zhukov, o artífice da vitória, montado gloriosamente num cavalo branco.
O ditador soviético Stalin, assistindo às solenidades, já maquinava uma forma de ofuscar a figura do grande herói. Deslocou o Mal. Zhukov para uma missão menor na longínqua Odessa. Stalin, atormentado por suas limitações, afastou o perigo de ser eclipsado pelo valor do grande comandante.
Na Alemanha, já nos últimos dias do regime nazi, a ordem era destruir Berlim, ou melhor completar a destruição da própria capital. O General encarregado não obedeceu. Mais uma feliz exceção.
O que podemos deduzir de tudo isso?
Rússia e Alemanha, aliadas no início e ferrenhas inimigas no final, sofrendo o mesmo destino: ambas expostas à mesma ideologia massificante, com nomes diferentes.
Um dia tudo terminou: em 8 de maio de 1945 em Berlim; em 25 de dezembro de 1991 em Moscou.
Não há mal que para sempre perdure. Mas pode voltar, com outra cara, na forma de putinismo, trumpismo, bolsonarismo, lulismo e sionismo.
Resta um caminho: ficar atento, não perseverar no mesmo erro, e não entregar nosso pensar nas mãos de qualquer aventureiro de ocasião.
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